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Preciso ser flexível para praticar yoga?

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Preciso ser flexível para praticar yoga?

April 28, 2019

 

Para comentar sobre essa questão entendo ser importante definir o que é yoga.

Posso começar afirmando o que o yoga não é: o yoga não é contorcionismo, não é se colocar naquelas posturas que lembram a boneca de circo que fica toda dobrada dentro da caixa.

 

O povo ocidental, do qual fazemos parte, possui caraterísticas muito diferentes dos povos orientais. Um exemplo é a própria ideia de Deus. Enquanto os ocidentais sentem Deus como um Ser externo (que geralmente fica no céu) e que nos observa, os orientais sentem Deus como uma existência interior, que existe dentro de cada um de nós. O significado de Namastê traduz bem esse sentimento do oriente: “O Deus que habita em mim, reconhece e saúda o Deus que existe em você”.

Por valorizarmos os aspectos externos a visão tem grande importância, por esse motivo as posturas que aparecem como Yoga atraem tanto.

Mas o que é Yoga?

Peço licença para um rápido passeio pela história para entendermos um pouco mais sobre o yoga.

Patanjali é considerado o pai do Yoga, e viveu na India por volta do século V, antes de Cristo. Escreveu um tratado onde descreve o yoga, a consciência e a condição humana, essa tratado se chama Yoga Sutra.

Entre os vários significados atribuídos a palavra Yoga, escolheremos aquele apresentado por T.K.V. Desikachar, professor de yoga moderno e filho Tirumalai Krishnamacharya, professor de yoga Indiano. Yoga significa :

  • juntar, unir, amarrar os cordões da mente (direcionar a atenção);

  • atingir o que antes era inatingível (desejo em ação);

  • estar com a mente onde está o corpo;

  • ser divino, força superior em harmonia conosco;

Mas todas essas definições de yoga não têm nada a ver com as posturas de contorcionistas que vemos em muitos lugares e que nos dizem que somos incapazes de chegar nesse grau de flexibilidade.

Isso é verdade, e para confundir ainda mais, segue a definição de yoga da Yoga Sutra de Patanjali :

“Habilidade de direcionar a mente sem distração ou interrupção”.

As posturas que nos são apresentadas são os chamados “asanas” e nada mais são do que ferramentas para o desenvolvimento da habilidade de direcionar a mente sem distração ou interrupção.

Existem outras ferramentas que auxiliam nesse mesmo objetivo ? Sim existem e vamos apresenta-las a seguir.

 

 

A ÁRVORE DO YOGA

Quando desenvolvemos a capacidade de direcionar a mente sem distração ou interrupção, estamos presentes, ou seja podemos aprimorar nossa capacidade de concentração e assim aplica-la no nosso dia a dia.

E para que serve isso ?

          Quando realizamos alguma tarefa concentrados significa que nossa mente está totalmente absorvida por aquela ação, o que possibilita que possamos realizá-la com mais precisão portanto melhor grau de acerto. Por exemplo : se ao estudarmos nossa mente divaga, isso significa que teremos que ler o texto muito mais vezes para poder compreendê-lo, se chegarmos a compreendê-lo.

Esse é um exemplo muito simples pois, o “estar presente” garante que qualquer ação (ou omissão) por nós praticada o foi com total consciência, porque sabemos o que estamos fazendo e decidimos fazê-lo.

Os pensamentos, as emoções automáticas começam a ser controladas pela nossa consciência “presente” e já não nos deixamos envolver com tanta facilidade pelas nossas crenças e primeiras reações que as situações do dia a dia nos apresentam.

Conforme já mencionamos existem ferramentas disponíveis no yoga para que cada vez mais possamos aprimorar nossa capacidade de estar presente.

B.K.S Yiengar apresenta uma interessante estrutura de arvore para ilustrar as 8 ferramentas que nos auxiliam nessa busca do “estar presente”.

“Antes de plantar, primeiro cava-se a terra, retirando-se pedras e ervas daninhas e afofando-a. A seguir, cobre-se a semente com terra macia, tomando muito cuidado para que ela, ao começar a germinar, não se estrague sob o peso da terra. Depois, alimenta-se a semente com água para que germine e cresça. Após um ou dois dias, a semente se abre e transforma-se em broto, do qual surge um caule. O caule então se divide em galhos e dá origem a folhas. Rapidamente, torna-se um tronco com galhos que se estendem em várias direções, carregados com suas muitas folhas.”

Nesse movimento deve ser entendido como o movimento de nossa alma, para que possamos desenvolver o nosso auto conhecimento e em consequência a nossa harmonia com o que é externo e conosco.

Cada uma das ações propostas por Yiengar possui um estágio, construindo a arvore do Yoga.

 

Raiz é iama -       É a raiz pois é a fundação que alicerça o crescimento de todo o restante, disciplina os órgãos da ação. contem os princípios de ahimsã (não violência); satya (verdade); asteya (isenção de avareza); brahmacharya (controle do prazer sexual) e aparigraha (não ambição)

 

Tronco é Niyama – Alimentado pela raiz mas que traz novos elementos para o crescimento -. Possui os seguintes princípios saucha (higiene), santosa(contentamento), tapas (ardor), svadhyaya (auto-exame) e Isavara-pranidhana (auto-rendição). Esses cinco princípios controlam os órgãos da percepção : os olhos, os ouvidos, o nariz, a lingual e a pele. 

 

Galho é Asana –  Alimentado pela raiz (iama) e pelo tronco (niama) – irriga as células de sangue. São as posturas que atuam no nosso físico e em nossa fisiologia e nos possibilitam nos harmonizar com o padrão psicológico da disciplina iogue.

 

Folha é Pranayama  - São as folhas. canaliza energia, produz saúde celular, remove as tensões das células. A pratica da   inspiração (puraka)  - a retenção (kumbhaka) e a expiração (rechaka) permitem perceber o estado divino da prática, pois o praticante não segura o ar somente, segura a essência de si mesmo, que foi elevada e sublimada pela inspiração.

 

Casca é Pratyahara -   A casca protege o interior de toda a árvore, e não permite que a influência externa a prejudique. Viagem interna dos sentidos, os quais se desligam da pele e se voltam para o âmago do ser. Permite que não se aja por impulso, motivado apenas por sentimentos e sensações obtidas no passado, pela memória.

 

Seiva é Dharana -   É a  concentração,  focar a atenção no cerne do ser. A mente controla as divagações. Permite que ao executar um asana a mente e todo o corpo estejam presentes e participem.

 

Flor é Dhyana - É a meditação. Os órgãos enviam mensagens do que percebem para o cérebro, este por sua vez em resposta, encaminha mensagens para os órgãos de ação. Dhyana é um espaço, uma pausa entre esses dois momentos. Eu posso julgar e analisar as duas partes e decidir. Eu sou um observador inteligente. Eu uno esses dois movimentos.

 

Fruto é Samadhi- Corpo e mente estão totalmente envolvidos, sem as impressões do passado. Não existe distinção entre eles, não existem mais opostos (dualidade). Samadhi é quando a sensação dessa experiência se mantém, não oscila.

 

 

QUEM PODE PRATICAR YOGA ?

Praticar yoga vai muito além de se colocar nas posturas e lá permanecer. A maior ou menor flexibilidade deixa de ter importância e passam a ter destaque : a capacidade de ser verdadeiro (com voce e com os outros), de não ser violento (com voce e com os outros), de estar presente, de sentir o próprio corpo, de levar vigor e energia para seu corpo e sua mente, etc...

Tudo isso é Yoga e a única exigência é que voce pratique, com constancia para que se obtenha e garanta os benefícios que se podem atingir.

 

O QUE É NECESSÁRIO PARA FAZER AS POSTURAS (ASANAS)?

          Os asanas são as posturas do yoga e assim como os galhos de uma árvore, são de tamanhos e espessuras diferentes, mas suas propriedades são garantidas ou seja, permite que toda a arvore seja alimentada conduzindo os alimentos obtidos pela raiz (iama), levados pelo tronco (nyiama), e pela seiva (dharana).

          No Yoga Sutra de Patanjali são destacadas duas qualidades importantes para a pratica do asana :

Sthira – estabilidade e atenção

          Sukha – habilidade de permanecer confortável na posição.

Ambas devem estar presentes durante a prática em igual intensidade para que possamos sentir os benefícios.

É importante conhecer os nossos limites, nos aceitar como somos e gradualmente ampliar a complexidade do asana. Por esse motivo devemos iniciar com posturas mais simples para progressivamente atingirmos a mesma estabilidade, atenção e conforto nas posturas mais complexas.

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